A Imagem da Prestação de Serviços

A Imagem da Prestação de Serviços Houve uma época na economia do país em que importante era a agricultura, que nos oferecia os alimentos necessários para vivermos.
Os serviços oferecidos à população (poucos, diga-se de passagem) eram normalmente realizados ou por escravos ou por quem não podia, pelas suas condições físicas principalmente, trabalhar na dura labuta da lavoura: idosos, mulheres e deficientes.

Isso levou a prestação de serviços a ser considerada como uma atividade de segunda classe, porque os serviços eram prestados por pessoas também consideradas, na época, como de segunda classe.

Em seguida entramos na área industrial, surgem as fábricas e com isso a importância da agricultura na economia foi dividida com a indústria. As fábricas que começavam a surgir necessitavam de mão de obra especializada, mas ai encontravam uma dificuldade: a escassez de trabalhadores especializados. Nossa mão de obra era formada por trabalhadores do campo, por muitos imigrantes que também eram camponeses e ex-escravos. Todos sem especialização em indústria naturalmente.

As empresas começaram a treinar todo esse pessoal e os transformaram numa categoria ainda inexistente: a de operários especializados. Enquanto isso, pessoas não qualificadas para a agricultura e indústria continuavam trabalhando apenas na prestação de serviços, e com isso era reforçada a imagem de atividade sem prestígio, de segunda categoria.

A imagem que se fazia, mesmo entre os que trabalhavam nessa área, era que prestar serviço era o mesmo do que servir, e isso era pejorativo, porque lembrava a época da escravisão, com o escravo servindo o seu senhor de maneira muitas vezes humilhante. Não fica difícil entender porque prestar serviços era algo que não conseguia comprometer as pessoas que se dedicavam a essa atividade, a maioria o fazendo de má vontade ou apenas até o momento em que conseguiria outra atividade melhor considerada.

Mas as coisas foram mudando. Dificuldades de transporte e locomoção, saturação de empresas e outras dificuldades forçaram as indústrias a se mudarem, saindo das cidades industrializadas e procurando novas regiões (principalmente no interior) que oferecessem melhores condições de operação.

E aí surgiram problemas para essas cidades “abandonadas” pelas indústrias: como manter a arrecadação? Como empregar os trabalhadores que não acompanhariam as mudanças para o interior?

A saída foi apostar e incrementar em atividades de prestação de serviços e as regiões antes industrializadas assumiram de vez atividades ligadas ao lazer, a informática, a propaganda e todas aquelas ligadas ao profissional liberal ou pequenas empresas de prestação de serviços pessoais (lavanderias, livrarias etc).

E a prestação de serviços, vista antes com desprezo, adquiriu grande importância até chegar a situação de hoje, quando é responsável por empregar grande número de pessoas e por aproximadamente 60% do PIB brasileiro.

Também deixou de ser uma atividade de segunda classe, passando a ser fundamental para a economia de grandes centros. E agora não é mais uma atividade de pessoas despreparadas, que a executavam por não conseguirem coisa melhor, mas passou a ser exercida por verdadeiros profissionais.

Mas apesar de toda sua importância, a imagem da prestação de serviços ainda não é muito boa e não é compatível com sua importância. Por quê?

Porque seu principal problema, a qualidade dos prestadores de serviço, ainda não foi devidamente resolvido, apesar de várias iniciativas pontuais de relativo sucesso, como as do SENAC, que têm excelentes programas de preparação e atualização de mão de obra nas atividades do comércio. Mas ainda não é o suficiente.

Tenho certeza que, agora mesmo, como cliente, você poderia relacionar muitas experiências negativas com teve com a prestação de serviços relacionadas à pouca qualidade da mão de obra. Pode ser algo acontecido em um hotel, restaurante, marceneiro, pintor etc.

Se fosse pedido a você que relacionasse 10 produtos de excelente qualidade acho que você não teria dificuldades para fazê-lo. E se o pedido fosse uma relação de bons serviços prestados? Quanto tempo a lista demoraria para ser completada, se é que seria?

A prestação de serviços é uma corrente com diversos elos. Você sabe que a força de uma corrente é igual a força de seu elo mais fraco, e na corrente da prestação de serviços o elo mais fraco, sem dúvida, é o atendimento pessoal. E por que é o mais fraco? Principalmente porque falta a mentalidade do bem servir. Essa palavra, servir, ainda está ligada à idéia da escravidão. Quem serve é o escravo, o subalterno.

Enquanto não quebrarmos o preconceito que envolve a palavra servir não conseguiremos melhorar muito a prestação de serviços. E a aproximação de grandes eventos esportivos no país torna urgente a realização de ações de treinamento que possam sanar esse problema.

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